Em
meados dos anos 50 do século 20, repercutiam nos meios espiritualistas as
informações do livro MENSAGENS DO ASTRAL
materializado em nossa dimensão pelo Espírito Ramatís com a colaboração
do médium Hercílio Maes. Entre outras coisas preconizavam acontecimentos drásticos
e dramáticos para a passagem do Milênio que, felizmente, não se concretizaram. As
expectativas negativas que tais afirmações provocaram, levaram alguns
companheiros de publicação da época irem a Pedro Leopoldo ouvir o Espírito Emmanuel
através de Chico Xavier. A entrevista publicada dois anos após, foi
integralmente recuperada pelo dedicado pesquisador Eduardo Carvalho Monteiro
e incluída em seu livro SALA DE VISITAS
DE CHICO XAVIER, contendo dados reveladores que merecem reflexões.
Simulando uma hipotética entrevista ante as buscas realizadas pelas
inteligências ávidas de saber, apresentamos os aspectos capazes de acrescentar
algo novo. Há meios de esmiuçarmos mais a visão didática apresentada pelo
Espiritismo sobre a evolução dos Mundos que compõem o Universo? Chico Xavier: - A
Terra, em sua constituição física propriamente considerada, possui os seus
grandes períodos de atividade e de repouso. Cada período de atividade e cada
período de repouso da matéria planetária, pode ser calculado, cada um, em
260.000 mil anos. Atravessando o período de repouso da matéria terrestre, a
vida se reorganiza, enxameando de novo nos vários departamentos do Planeta,
representando, assim, novos caminhos para a evolução das almas. Assim sendo, os
grandes Instrutores da Humanidade, nos Planos Superiores, consideram que,
desses 260.000 anos de atividade, 60 a 64 mil são empregados na reorganização
dos pródomos da vida organizada. Logo em seguida surge o desenvolvimento das
grandes raças que, como grandes quadros, enfeixam assuntos e serviços que dizem
respeito à evolução do Espírito domiciliado na Terra. Assim, depois desses 60 a
64 mil anos de reorganização de nossa Casa Planetária temos sempre grandes
transformações de 28 em 28 mil anos. Depois do período dos 64 mil anos, tivemos
duas raças na Terra cujos traços se perderam por causa de seu primitivismo.
Logo em seguida podemos considerar a grande raça Lemuriana como portadora de
uma inteligência algo mais avançada, detentora de valores mais altos, nos
domínios do espírito. Após a raça Lemuriana - em seguida aos 28.000 anos de
trabalho lemuriano propriamente considerado - chegamos ao grande período da
raça Atlântida, com outros 28.000 anos de grandes trabalhos, no qual a
inteligência do mundo se elevou de maneira considerável. Achamo-nos, agora, nos
últimos períodos da grande raça Ariana. Podemos considerar essas raças como
grandes ciclos de serviços em que somos chamados de mil modos diferentes, em
cada ano de nossa permanência na crosta do planeta ou fora dela, ao
aperfeiçoamento espiritual, que é o objetivo de nossas lutas, de nossos
problemas, de nossas grandes questões, na esfera de relações, uns para com os
outros. Foi, de
fato, há 37.000 anos que submergiu a Atlântida? Chico Xavier: - Diz
nosso Emmanuel que o cálculo é, aproximadamente, certo, considerando-se que as
últimas ilhas, que guardavam os remanescentes da Civilização Atlântida,
submergiram, mais ou menos, 9 a 10 mil anos antes da Grécia de Sócrates.
Considerando verdadeira a informação disseminada por várias
correntes espiritualistas sobre a passagem a outro Ciclo Evolutivo acrescidas
pelo Espiritismo da elevação Planetária à condição de Mundo de Regeneração,
podem explicar as turbulências sociais e geológicas observadas nos dois últimos
séculos? Chico Xavier - Os fenômenos da vida
moderna e as modificações que nosso "habitat" terreal vem
apresentando nos indicam a vizinhança de atividades renovadoras, de
considerável extensão. Daí esse afluxo de revelações da vida extraterrestre, influindo
sobre as cogitações dos homens; esses apelos reiterados, do Mundo dos Espíritos;
essa manifestação ostensiva, daqueles que, supostamente mortos na Terra, são
vivos na Eternidade, companheiros dos homens em outras faixas vibratórias do
campo em que a Humanidade evolui. Toda essa eclosão de notícias, de mensagens,
de avisos da Vida Espiritual, devem significar para o homem, domiciliado na
Terra do presente século, a urgência do aproveitamento das lições de Jesus. Fenômenos como a expansão da violência, da corrupção, enfim,
do que podemos chamar de mal, são meros efeitos das injunções do fatos? Chico Xavier - Todos os fatos alusivos à evolução da Terra e referentes
a todos os eventos que se relacionam com a nossa peregrinação para a vida mais
alta, estão naturalmente planificados por aqueles ministros de Nosso Senhor Jesus Cristo; os
quais, de acordo com Ele, estabelecem programas de ação para a coletividade
planetária, de modo a facilitar-lhe os voos para a Divina ascensão. O que pensar sobre as bruscas mudanças
previstas até o ano 2000? Chico Xavier - Muito importante encarecer que não devemos
reclamar do Terceiro Milênio uma transformação absolutamente radical nos
processos que caracterizam, por enquanto, a nossa vida terrestre. O
prazo de 47 anos é diminuto - O
ano era 1954 - para sanar
os desequilíbrios morais de tantos séculos, em que o nosso campo coletivo e
individual adquiriu tantos débitos, diante da sabedoria e diante do amor que
incessantemente apelam para nossa alma, no sentido de nos levantarmos para um clima
mais aprimorado da existência. Não podemos esquecer que grandes imensidades
territoriais, na América, na África e na Ásia, nos desafiam a capacidade de
trabalho. Não podemos olvidar, também, que a Europa, superalfabetizada, se
encontra num Karma de débitos clamorosos, à frente da Lei, em dolorosa
expectação para o reajuste moral que Ihe é necessário. Nesse contexto
qual a posição do Brasil? (NOTA - O
ano era 1954) - No
Brasil, nação com capacidade de asilar novecentos (900) milhões de habitantes,
em quatrocentos e alguns anos de evolução, mal estamos (1954) - os Espíritos,
encarnados na Terra, em que temos a bênção de aprender ou recapitular a lição
do Evangelho - mal estamos passando das faixas litorâneas. Serviços imensos
esperam por nossas almas no futuro próximo. Qual a posição mais aconselhavel diante
do aparente caos observado? Chico Xavier - Se nos compete a obrigação de esperar o
melhor para o dia de amanhã, cabe-nos, igualmente, o dever de não olvidar que,
junto desses direitos, responsabilidades constringentes contam conosco, para
que o Mundo possa, efetivamente, atender ao programa Divino através não somente
da superestrutura do pensamento científico mas também através de nossos
corações, chamados a plasmar uma vida que seja realmente digna de ser vivida
por aqueles que nos sucederão nos tempos duros; entre os quais, naturalmente, milhões de nós os reencarnados de agora formaremos,
de novo, como trabalhadores que voltam para o prosseguimento da tarefa de auto
acrisolamento, para a ascensão sublime, que o Senhor nos reserva.
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