No ano de 1996, chegou ao
Brasil o filme OS ESPÍRITOS estrelado pelo consagrado Michael J.
Fox. Embora baseado na cultura norte-americana, o conteúdo guarda muita semelhança com o exposto em obras psicográficas de Chico Xavier como CARTAS
DE UMA MORTA de Maria João de Deus -
sua mãe na ultima encarnação - e do
médico oculto no pseudônimo André Luiz reunidas na série conhecida como NOSSO LAR, ou em comentários esparsos
espantam como o de que “no cemitério, podem ser
encontrados Espíritos que permanecem junto ao corpo durante muitos anos,
deitados lado a lado com ele. É como se estivessem mumificados. quando não
reagem ou não possuem merecimento bastante para serem socorridos, vão ficando desmemoriados,
perdendo a consciência de si mesmos. Assistem a decomposição cadavérica,
permanecendo como que imantados à matéria por muito tempo”. No trabalho OBREIROS DA VIDA ETERNA, de 1947, pode ser colhida
uma curiosa descrição das surpresas verificadas pelo autor do trabalho acompanhando
o enterro de um dos personagens da obra. Conta ele: - Logo
após, ante as exclamações dolorosas dos familiares, o ataúde foi cerrado e
iniciou-se o préstito silencioso. Seguíamos, ao fim do cortejo, em número
superior a vinte entidades desencarnadas, inclusive o irmão recém-liberto.
Abraçado à genitora, Dimas, em passos incertos e vagarosos, ouvia-lhe discretas
exortações e sábios conselhos. Entre os muitos afeiçoados do
círculo carnal, reinava profundo constrangimento, mas entre nós imperava
tranquilidade efetiva e espontânea. Prosseguíamos com as melhores notas de
calma, quando nos acercamos do campo-santo. Estranha surpresa empolgou-me de
súbito. Nenhum dos meus companheiros, exceção de Dimas, que fazia visível
esforço para sossegar a si mesmo, exteriorizou qualquer emoção, diante do quadro
que víamos. Mas não pude sofrear o espanto que me tomou o
coração. As grades da necrópole estavam cheias de gente da Esfera Invisível, em
gritaria ensurdecedora. Verdadeira concentração de vagabundos sem corpo físico
apinhava-se à porta. Endereçavam ditérios e piadas à longa fila de amigos do
morto. No entanto, ao perceberem a nossa presença,
mostraram carantonhas de enfado e um deles, mais decidido, depois de fitar-nos
com desapontamento, bradou aos demais: – Não adianta! É protegido... Voltei-me,
preocupado, e indaguei do padre Hipólito que significava tudo
aquilo. O ex-sacerdote não se fez de rogado. – Nossa função, acompanhando os
despojos – esclareceu ele, afavelmente –, não se verifica apenas no
sentido de exercitar o desencarnado para os movimentos iniciais da
libertação. Destina-se também à sua defesa. Nos cemitérios costuma
congregar-se compacta fileira de malfeitores, atacando
vísceras cadavéricas, para subtrair-lhes resíduos vitais. Ante a
minha estranheza, Hipólito considerou: – Não é para admirar. O
Evangelho, descrevendo o encontro de Jesus com endemoninhados, refere-se a
Espíritos perturbados que habitam entre os sepulcros. Reconhecendo-me
a inexperiência no trato com a matéria religiosa, Hipólito
continuou: – Como você não ignora, as igrejas dogmáticas
da Crosta Terrena possuem erradas noções acerca do
diabo, mas, inegavelmente, os diabos existem. Somos nós mesmos, quando,
desviados dos divinos desígnios, pervertemos o coração
e a inteligência, na satisfação de criminosos caprichos... – Oh! mas
que paisagem repugnante! – exclamei, surpreendido, interrompendo
a instrutiva explanação. – É verdade – concordou o interlocutor –, é
quadro deveras ascoroso; todavia, é reflexo do mundo, onde,
também nós, nem sempre fomos leais filhos de Deus. A
observação me satisfez integralmente.

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