
Natália, isso, que está acontecendo com você,
acontece com grande parte dos jovens quando entram para a universidade. É uma
condição própria da maioria das pessoas, que foram educadas para ter uma determinada
crença e pautar suas vidas em cima dos valores morais e religiosos que os pais
lhes ensinaram. Quando a ação dos pais é muito intensa e envolvente, a criança
se entrega totalmente ao que lhe passaram, mas, dependendo do tipo de crença
que lhe é passado, ela pode sofrer um grande impacto emocional ao tomar contato
com outras formas de crer, principalmente quando entra num curso superior.
É
quando surgem os conflitos entre o jovem e a família, principalmente em matéria
de religião, porque, então, o jovem percebe que existem outras crenças e que,
agora, ele pode pensar pela própria cabeça e escolher aquela que mais atende às
suas aspirações. Mas, quando esses pais usam mais o bom senso no encaminhamento
dos filhos, eles se acautelam desde cedo contra essa situação e dão um pouco
mais de liberdade para os filhos aprenderem a tirar conclusões, ou, por outra,
não lhes passam um pensamento religioso ou moral tão estreito, tão fechado, a
ponto de mantê-los com o pensamento encarcerado.
Evidentemente, nossos pais querem o melhor
para nós e o que fazem é sempre para o nosso bem. Mas isso não quer dizer que
vamos ter que concordar sempre com eles ou que eles estejam sempre certos,
pois, ao nos tornar adultos, passamos a pensar pela nossa própria cabeça e
descobrimos que ninguém é dono exclusivo da verdade. Mas devemos respeitar
nossos pais, devemos, amá-los como eles são, e saber como lidar com tais
divergências sem causar maiores problemas.
Como
Espíritos, que somos, a nossa tendência é sempre construir o próprio caminho a
partir do rico tesouro de amor e de orientação que os pais nos dão. Mas não
devemos nos precipitar muito. Avançar sim, mas com a devida cautela, porque,
para o jovem que desperta sua atenção para um horizonte mais amplo da vida, muita
luz pode ofuscá-lo, razão pela qual o mais prudente é ir devagar, analisar com
mais cautela e não se deixar levar pela vaidade e pelo orgulho que costumam nos
assaltar quando descobrimos que podemos mais do que imaginávamos.
É
claro que a liberdade de pensamento é um direito natural de todo ser humano, e
é nesse sentido que estamos caminhando, mas de tal sorte que as diferenças não constituam
motivo de separação, mas sim de união de esforços para um objetivo comum, o bem
de todos. O nosso grande desafio, neste início de século XXI, é saber conviver
com os desiguais, valorizar a liberdade pessoal, defender o direito dos que não
concordam conosco, se quisermos caminhar juntos na construção de um mundo
melhor e de uma humanidade mais feliz.
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