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quinta-feira, 18 de julho de 2024

APLICAÇÕES DA MEDIUNIDADE; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 

Quando Allan Kardec escreveu n’ O LIVRO DOS MÉDIUNS que a “mediunidade é inerente ao homem, podendo dizer-se que todo mundo é, mais ou menos, médium” e, que a “faculdade propriamente dita é orgânica”, ainda não se tinha no Mundo Ocidental associado a mesma à glândula pineal ou epífise. Escolas religiosas da Antiguidade, contudo, já dominavam tal conhecimento e o próprio filósofo e matemático René Descartes a considerava a sede da alma. Kardec foi além, escrevendo que “o médium fez pelo Mundo Invisível o mesmo que o microscópio pelo mundo dos infinitamente pequenos”, diante da quantidade espantosa de informações vertidas do Plano Espiritual abrindo caminho para uma compreensão mais precisa sobre a razão de ser e existir. O tempo foi consagrando o acerto de suas afirmações com os Espíritos do Senhor fomentando o surgimento de inúmeras alternativas para o acesso das criaturas humanas aos princípios da Verdade concernente à sua própria imortalidade. Múltiplas formas de manifestação por sinal classificadas previamente pelo erudito pesquisador foram despertando consciências ao redor do Planeta em que vivemos. No Brasil, o caso Chico Xavier, especialmente, nas três últimas décadas de sua tarefa, constitui-se em importante e segura fonte de pesquisa. Sobre essa fase, afirmou que “como médium, essa tarefa das cartas de consolação aos familiares em desespero na Terra foi o que sempre mais me gratificou”, pois, “não existe sofrimento maior do que a dor de perder um filho”. Acrescentou outra ocasião que “os Espíritos ainda não encontraram uma palavra para definir a dor de um coração de mãe quando perde um filho”. E esse conforto em grande parte deve-se à mediunidade que interliga diferentes Dimensões existenciais. Prova disso é o trabalho do também médium norte-americano James Van Praagh, autor do livro autobiográfico CONVERSANDO COM OS ESPÍRITOS (salamandra,1998). Convivendo com a paranormalidade desde a infância sem que compreendesse bem suas percepções, já adulto acatou os conselhos de outro sensitivo, buscou instrumentalizar-se de conhecimentos e pôs-se a trabalhar para a Espiritualidade, oferecendo conforto e esperança para pessoas que o procuraram na expectativa – apesar do ceticismo da maioria - de obter algum tipo de informação sobre os porquês da dura separação nunca cogitada nesse mundo em que o materialismo ofusca qualquer possibilidade de atentar-se para outros aspectos da vida. James em seu livro generosamente repassa sua visão pessoal dessa realidade, fundamentando-se não só nas pesquisas que fez, mas também na experiência acumulada ao longo de vários anos de trabalho e convivência com a dor alheia. Exemplificando suas opiniões com casos atendidos, esclarece o pós-morte no caso de transições trágicas, acidentes fatais, AIDS, suicídio, descrevendo o clima de intensa emoção quando de reencontro dos que se amam. Apesar das diferenças culturais e o “modus operandi” fundamentalmente diferente do observado através de Chico Xavier, os resultados surtem o mesmo efeito: aplacam as dores da alma. Pena que poucos médiuns se interessam por se dedicar e aperfeiçoar nessa linha de trabalho. O próprio médium mineiro mostrou outro lado da questão em comentário feito ainda quando encarnado sobre a questão dizendo: -“Não entendo os nossos irmãos que combatem esse tipo de intercâmbio com o Mundo Espiritual. Eles se esquecem de que os que partiram também desejam o contato. O médium, sem dúvida, pode, em certas circunstancias rastrear o Espírito, mas, na maioria das vezes, é o Espírito que vem ao médium. O trabalho da Espiritualidade é intenso. Para que um filho desencarnado envie algumas palavras de conforto aos seus pais na Terra, muitos Espíritos se mobilizam. Isso não é uma evocação. Não raro são os próprios filhos desencarnados que atraem os seus pais aos Centros Espíritas: desejam dizer que não morreram, que continuam vivos na Outra Dimensão, que os amam e que haverão de amá-los sempre”. Falando de si remetendo-nos a uma reflexão, Chico conclui: -“Oro todos os dias pelas mães que perderam filhos, sobretudo em condições trágicas, como um assassinato, por exemplo. Deus há de se compadecer de todas elas!... Quando elas me procuram, é que verdadeiramente posso sentir a minha insignificância para consolar alguém”... Os “doutores da lei” continuam vigilantes e atuantes. Não percebem a importância da oferta desse serviço para a comunidade nem o quanto seria útil para a propagação da mensagem da imortalidade e das realidades que nos aguardam além dessa vida de onde a qualquer momento sairemos para a necessária avaliação do nível de aproveitamento da reencarnação provavelmente ansiosamente aguardada em algum lugar do passado recente ou remoto.



Quando uma pessoa está sofrendo muito e parece que nada dá certo em sua vida, os espíritas costumam dizer que ela está pagando pelo mal que fez em outra encarnação. Isso pode fazer com que essa pessoa sofra mais ainda, porque se sente culpada de algo que fez no passado, mas não se lembra. (Comentário)

De nossa parte perguntamos: o que você faria para levar a essa pessoa uma palavra de reconforto? Diria, por exemplo, que ela sofre porque esta essa é a vontade de Deus?

Neste caso, atribuindo seu sofrimento à vontade de Deus, não seria o mesmo que dizer que Deus não gosta dela, não foi com a sua cara e por isso deu-lhe uma vida sofrida?

Não seria o mesmo que dizer que Deus lhe impingiu uma vida difícil e sofrida, ao contrário de outras pessoas a quem concedeu uma vida mais ou menos tranquila, simplesmente porque Ele quis ou gosta mais delas?

Que Deus é esse, caro ouvinte? Dizendo isso –ou seja, que ela sofre porque Deus quer - você não estaria dizendo que Deus tem seus próprios caprichos e se compraz em prejudicar uns enquanto beneficia outros?

Onde estaria a bondade e a misericórdia do Pai celestial, conforme Jesus ensinou, ao dizer que Ele manda o sol para os bons e para os maus, e a chuva para os justos e para os injustos?

No entanto, vamos considerar, agora, que você não acredita em Deus, que você é ateu e que, portanto, tudo que acontece com cada ser humano decorre do acaso e que, portanto, a morte é o fim de tudo.

Ante essa concepção materialista, como se sentiria essa pessoa sofrida diante de si mesma, ao tomar conhecimento de que ela é vítima do acaso ou da má sorte?

Essa triste condição de azarado, diante dos demais seres humanos, não lhe traria um sentimento de culpa e de impotência ainda maior?

Que valor ela daria à sua vida, se soubesse que não sobreviveria à morte, e que, portanto, não vale a pena permanecer sofrendo, pois isso de nada lhe serviria?

Não seria melhor que ela não existisse, pois infelizmente nasceu para sofrer, porque essa é sua sina aqui na Terra?

Veja, prezado ouvinte, que essas duas alternativas – a que está sofrendo por vontade de Deus e que é apenas fruto do acaso – intensificariam ainda mais seu sentimento de culpa, levando-a desvalorizar-se diante de si mesma e do mundo.

Não podemos estar neste mundo, na condição em que nos encontramos, apenas por conta do acaso ou da vontade de Deus.

Deus é muito mais do que comumente se pensa. Ele nos criou para a perfeição, para a felicidade – e não para o sofrimento ou para a perdição - caminho que compete a cada um de nós construir.

O sofrimento é uma contingência da vida, que contribui para o nosso crescimento. Por isso, precisamos ter fé e paciência, e seguir adiante.

As dificuldades da vida são os desafios que temos de encarar, porque já vivemos antes desta vida e temos de vencer alguns hábitos nocivos de que ainda não conseguimos desvencilhar.

Mas sabemos que Deus ( nosso Pai de Amor e Misericórdia) é sempre por nós e que somos capazes de vencer os obstáculos, que nos permitirão caminhar mais depressa em busca de nossa realização integral como Espíritos e filhos amados.

Se não conseguirmos atingir uma determinada meta numa encarnação, com certeza teremos outras oportunidades para fazê-lo.

O sofrimento decorre de várias causas, mas sobretudo de nossa própria imperfeição, pois somos seres em aperfeiçoamento, transitando pela estradas da vida, em busca da perfeição.

Logo, saber ou deduzir que estamos sofrendo por causa de erros do passado não deve acarretar em nós apenas um sentimento de culpa, mas sim o de responsabilidade, pois somos capazes de superar nossas imperfeições para alcançar uma condição cada vez melhor em nossa caminhada evolutiva.


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